Tragédia de Santa Maria: entre o luto e o narcisismo

fantastico_logo2Escrevo este texto um dia após ter acontecido o que tem sido chamado pela mídia de “tragédia de Santa Maria”. Para os que lerão este escrito muito tempo depois de ter sido publicado, me refiro ao incêndio ocorrido na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013 na boate Kiss em Santa Maria no Rio Grande do Sul, que provocou a morte de mais de 200 pessoas e deixou dezenas de feridos.

Eventos como esse são sempre um prato cheio para jornais, revistas, mas, sobretudo, para a televisão, que pode explorar à exaustão as imagens registradas do incidente, construir gráficos elaborados explicando como teria acontecido o incêndio e porque a maioria das pessoas morreu asfixiada, chamar especialistas para debater o assunto e last, but not least, apresentar conteúdos exclusivos, “que você só verá aqui”. É também comum nessas ocasiões observar apresentadores normalmente serelepes e eufóricos apresentando um semblante sério e austero, fingindo que estão consternados com o acontecido. Tudo para que o telespectador não saiba que estão, no fundo, comemorando os picos de audiência.

Mas nós já não vivemos mais na era do telespectador passivo, que apenas recebe conteúdos de um broadcaster institucional. Não, nós agora temos redes sociais. Nós também produzimos conteúdo. Nós também divulgamos informação. Nós também temos audiência. Logo, nós também precisamos mentir. Afinal, temos centenas de amigos no Facebook e/ou centenas de seguidores no Twitter. Temos que mostrar a essas pessoas que somos bonzinhos, que amamos o próximo, que temos compaixão. Temos que dar uma satisfação a nossos amigos e seguidores. Precisamos fazer semblante sério, austero e compassivo. Temos audiência. Precisamos abarrotar as timelines de nossos espectadores com imagens com os dizeres “Luto”, “Deus conforte os corações dos familiares”, etc. Precisamos mostrar à nossa audiência que nós somos tão bons que conseguimos compartilhar da dor que estão sentindo os parentes das pessoas que morreram. Sim, nós precisamos fingir que nos importamos. Precisamos fingir que estaremos orando pelas famílias. Precisamos fingir que ficaremos de luto. Precisamos enviar mensagens supostamente dirigidas aos familiares, mas que sabemos de antemão que jamais chegarão até eles. Precisamos, em suma, mostrar aos nossos amigos e seguidores que nos importamos, que o mundo é um lugar muito bonito abarrotado de gente que não está interessada apenas no próprio umbigo, mas que se preocupa com a dor do outro. O paraíso na terra.

Vejam bem, não estou negando a possibilidade de que efetivamente nos solidarizemos com a dor das mães e pais que perderam seus filhos. Sou psicanalista. Empatia é um dos meus principais instrumentos de trabalho. Acredito, aliás, ser quase impossível para a maioria das pessoas assistir na televisão aos familiares e amigos desesperados e não se compadecer das dor que eles provavelmente estão sentindo. O que coloco em questão é a necessidade que temos de publicar essa solidariedade, transformando nossa suposta compaixão em objeto de consumo para nossa audiência. Sim, pois nas redes sociais todos nós acabamos nos transformando em apresentadores de televisão. Cada um de nós faz o seu próprio Fantástico e, em vez da audiência medida pela Ibope, nós acumulamos “curtidas”, retweets, compartilhamentos.

É uma ingenuidade acreditar que Facebook e Twitter nos servem apenas como uma folha de papel em branco onde expressamos nossos sentimentos, opiniões e ideias. Ainda que não existissem os botões “curtir”, “compartilhar” e “retweetar”, ainda assim a mera consciência de que outras pessoas têm acesso ao que publicamos faz com que tenhamos sempre em vista as expectativas alheias antes de escrevermos ou compartilharmos algo. Isso explica a quantidade cada vez maior de imagens contendo frases “edificantes” ou engraçadinhas sendo compartilhadas no Facebook. Queremos parecer bonzinhos, fortes, cultos e bem-humorados para nossa audiência. Show da vida.

Mas voltemos à nossa pauta original. Será que as “moções de solidariedade” aos familiares das pessoas mortas na tragédia de Santa Maria escapariam desse círculo narcísico em jogo nas redes sociais? Será que nosso objetivo ao compartilharmos as imagens bem elaboradas de luto é, de fato, a mera manifestação de nossos sentimentos de compaixão e não mais uma “atração” do nosso Fantástico particular de todos os dias?

Um psicólogo judeu costumava dizer que quando alguém, num período de jejum, desfigura o rosto, dando a entender que está sofrendo, tem por objetivo conquistar a atenção e a admiração dos homens. Por isso, recomendava a seus amigos que se perfumassem e lavassem o rosto ao fazerem jejum, a fim de que ninguém sequer suspeitasse que não estivessem se alimentando. Fazendo isso, proteger-se-iam de um vício assaz pernicioso chamado hipocrisia.

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44 comentários sobre “Tragédia de Santa Maria: entre o luto e o narcisismo

  1. Muito interessante o ponto de vista que você colocou Lucas!
    Interessante ver as pessoas comentando sobre o sensacionalismo da televisão e ao mesmo tempo fazem a mesma coisa, mas nas mídias sociais.

  2. Eu vi muitas imagens de luto pelas redes sociais, eu prefiro nem curtir, nem compartilhar esse tipo de coisa. Acho muito pessoal. Nem quando perco familiares saio espalhando nas redes. Apesar de ser blogueira não vou na onda do que todo está fazendo ou comentando. Agora a TV faz o sensacionalismo mesmo. É uma questão de sobrevivência e status entre as emissoras, que acredito eu que a única coisa que os interessas mesmo é ganhar prêmios de melhor cobertura, melhor documentário, melhor imagem e por aí vai.

  3. Você explanou de forma muito precisa e cuidadosa o que costumo pensar sobre postagens que vejo no face dizendo não se importar com a opinião dos outros sobre o que postam. Sempre acho isso antagônico exatamente pelo que colocou aí… Agora eu nunca tinha feito essa analogia nos comparando com apresentadores de televisão… Muito interessante!

  4. Lucas, não quero fazer o mesmo que é feito no Face ou Twitter, e “inflar” seu ego. Mas essa reflexão foi exelente!

    “Um Psicólogo Judeu” rs.

    Pois é! Este tocou no cerne da questão, assim com você!

    Forte abraço!

  5. Realmente não tinha refletido sobre este prisma, sobre os acontecimentos atuais,
    mas achei muito interessante a tua produção!

  6. Entendo o ponto de vista, mas não consigo concordar. Muitas pessoas ficaram realmente chocadas com essa tragédia, uma coisa que poderia ter acontecido em qualquer lugar do Brasil, qualquer boate… Poderia ser você, seus filhos, seus amigos, seus irmãos. E isso choca. Minha familia por parte de mãe é toda de Santa Maria, foi onde meu irmão mais velho nasceu, foi onde eu passei minhas férias, foi onde eu fui estudar por um tempo, onde a minha irmã faz faculdade. No momento estou fazendo estagio na França e, mesmo de longe, essa tragédia me pegou em cheio. Quando acordei e vi a noticia, liguei pra minha irmã e senti um alivio quando seu namorado atendeu e falou que eles estavam em casa dormindo, nem sabiam o que tinha acontecido naquela madrugada. Vi todos os meus amigos de Santa Maria desesperados atras de seus amigos, de seus vizinhos, colegas de infancia. Vi seus pais agradecendo a Deus por seus filhos não terem ido aquela boate naquela noite. Quem não morava em Santa Maria parou para pensar como são as boates que eu frequento e a maioria viu que poderia ser qualquer um de nós ali, mortos em 5 minutos, por não termos mais ar pra respirar, porque não conseguimos achar a saida, porque nossos olhos não conseguem mais enxergar. Talvez seja eu, não sei, mas foi dificil dormir ontem a noite, a imagem daquelas pessoas desesperadas, fico imaginando e SE… se tivesse mais uma saida, se a porta fosse maior, tivessem exaustores, janelas nos banheiros, extintores que funcionassem, se eles tivessem conseguido controlar o pânico, se abaixar como é dito pra fazer em caso de fumaça… Eu fico pensando E SE… quantas pessoas poderiam ter saido dali com vida… Também penso na dor desses pais e no trauma desses jovens sobreviventes, que se salvaram, mas tiveram que deixar amigos pra tras, que viram pessoas morrerem em seus braços, viram um mar de vidas acabadas ali, bem na sua frente. Cada pessoa no meu facebook que eu vejo prestando homenagem ou desejando condolências eu realmente acredito que, assim como eu, elas desejam paz para todas essas pessoas que morreram ou que hoje choram pela ausência de alguém querido. Eu realmente acredito que por menor que seja o seu pesar, o seu sentimento, boas energias somadas poderão aos poucos confortar essas pessoas que tanto precisam de paz.

  7. Olá Thaise!

    Muito obrigado pelo seu comentário! Penso que nós só discordamos com relação às motivações subjacentes ao ato das pessoas publicarem moções de apoio aos familiares no Facebook.

    Um forte abraço e continue acessando o blog!

  8. Olá Laura! Muito obrigado pelo feedback!

    Um grande abraço e continue acessando o blog!

  9. Olá Tchelo! Muito obrigado pelo comentário!

    É… trata-se mesmo de um psicólogo, um filósofo, tudo menos um líder religioso (como tentam nos fazer crer que Ele é…)

    Quanto ao narcisismo: nossos egos andam sempre inflados! Essa é a razão de ser deles… rsrsrs

    Forte abraço!

  10. Oi Ádila!!! Apareça sempre por aqui! Seus comentários são sempre pertinentes e, por isso, bem-vindos!

    Grande abraço!

  11. Oi Marcilene! Exatamente… o luto é algo muito pessoal mesmo. E concordo inteiramente contigo quanto ao que disse em relação à TV.

    Apareça sempre!

    Grande abraço!

  12. CONCORDO PLENAMENTE!!!
    Quanto sensacionalismo por causa desse acidente em Santa Maria!!! Será que é porque envolve vítimas de classe média? Porque não repercute tanto a verdadeira tragédia que estou vendo aqui no Pará? Tanta pobreza, fome, precariedade, falta de recurso … aqui essas pessoas estão morrendo aos poucos, dolorosamente e lentamente. Me poupem de tanta falsa piedade!
    Parabéns ao autor, estou de acordo!

  13. Obrigada Lucas! Eu me emocionei ao ver na TV as imagens e os sobreviventes sendo entrevistados e me angustiei sim ao tentar imaginar o pavor que aquelas pessoas passaram ao ponto de tentar sair pela janela do banheiro, mas tb notei que você deixa claro no seu texto que não está negando a possibilidade de solidariedade e empatia nas pessoas, apenas está mostrando um outro lado da coisa e que existe sim.

  14. É interessante a questão de “imaginar” um momento de sofrimento que você soube que alguém passou, o quanto parece que para certas pessoas tem um fascínio em ficarem repetindo aquelas cenas em suas cabeças, se alimentando de tantas quantas informações puderem. Aonde estava o palco? Quem era o segurança? Como foi feito a saída?

    É interessante também notar que, o caminho dos que sobreviveram, é muito pouco relatado. Parece que reviver aquela cena de possível sofrimento, atrai as pessoas de maneira significativa.

    Um dia fazendo uma pesquisa sobre sensacionalismo, topei com um artigo de Freud que não me recordo o nome, mas que ele relatava que os soldados da primeira guerra que “se preparavam mentalmente” imaginando o dia em que o pior viria, pareciam reagir melhor à amputações e acidentes de batalha. Acho que é um texto mais antigo, de um Freud que ainda não estava à vias com o inconsciente e as implicações que ele traria para suas teorias. Não me recordo dele abordar este tema mais posteriormente, imagino que ele teria uma visão diferente, menos de “sobrevivência”.

    É interessante notar (por mais polêmico que seja admitir isso) que parece haver um certo prazer (mesmo no desprazer) em passar dias/semanas focado em alguma tragédia, reconstituindo cada passo e momento.

    Essa situação, especificamente, parece prender mais as pessoas nesse círculo vicioso. Recordo que no começo do ano retrasado, quando houve os deslizamento/enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro, a mídia e as pessoas pegaram mais leve na insistência, talvez por ser uma tragédia onde fosse possível canalizar melhor as coisas através de doações de mantimentos, roupas, e etc…
    Parece sempre que quanto menos se pode fazer por uma tragédia, mais as pessoas se interessam por ela.

    Enfim, ótimo texto! 🙂

  15. Muito interessante a sua abordagem sobre este assunto… Pensei muito em postar algo, mas por ter uma visão parecida com a sua, não o fiz. Somente uma observação a respeito do psicólogo judeu… na verdade Ele é muito mais do que um psicólogo, é o Salvador …Jesus Cristo:

    ” Quando jejuardes, não vos mostreis contristrados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”
    Mateus 6:16-18
    Abraço.

  16. Lucas, penso que a grande maioria está fazendo como você, escrevendo ou conversando. Interessante sua reflexão mas não diferes do que a maioria está expressando (de maneira mais simples talvez) e tua crítica sobre este funcionamento narcísico é absolutamente natural num momento de luto. Vivemos uma dor da perda de nossa ingenuidade e de cara com a realidade de nossa finitude. Conheço muita gente que trabalhou auxiliando e estão loucos de dor. Quanto a mídia, tem sido assim e por outro lado cumprem com sua função. Talvez tenhamos que ter uma postura mais digna e menos passiva e com mais proximidade do outro, sem a defesa deste narcisismo psicanalítico,

  17. Parabéns pelo texto! Muito bem redigido.
    Faço o que sinto e tão pouco me sinto uma hipócrita. Minha correlação com o ocorrido é realmente minha e se eu julgar pertinente registrar em minha página social, assim o farei.
    Agora, o que realmente cabe, é quem são os amigos nas mídias sociais. São mesmo amigos? Ou mera audiência às críticas ou bobagens que se publica?
    Acredito que a crítica deveria partir deste ponto.

  18. Nota-se que você não chegou nem perto da cidade de Santa Maria para escrever sobre isso…

    … só não entendo qual a diferença entre “postar sobre” e “criticar o que se posta sobre”…

    Moro em SANTA MARIA e sei do que estou falando… será que isso realmente me torna menos hipócrita que você???????????????

  19. Olá Jade. Pelo visto, você, como muitas pessoas, não entendeu meu objetivo ao escrever o texto. Eu, por outro lado, também não entendi seu comentário. Em que você discorda de mim?

  20. Olá Alexandre. Muito obrigado pelo comentário.

    Continue acessando o blog.

    Um forte abraço!

  21. Olá Karla. Acho que você não entendeu o texto. Em nenhum momento faço defesa do narcisismo. Aliás, quanto ao narcisismo, não é necessário defesa ou ataque. Trata-se de uma condição psicológica e não de um vício. O texto é apenas uma análise pessoal sobre o que observei nas redes sociais. Não estou recriminando ninguém.

    Um abraço.

  22. Exatamente, Ádila! Infelizmente, muita gente não entendeu a proposta e, a partir de seus preconceitos, me considera uma pessoa insensível. Infelizmente, pouca gente sabe ler.

    Um abraço!

  23. Muito obrigado pelo comentário, Miriam!

    Um forte abraço e continue acessando o blog!

  24. Acho interessante suas materias e a forma sincera com que vc aborda. Temos que deixarmos de sermos hipocritas, dizer o que os outros dizem fazer o que os outros fazem, em fim copiar o outro e depois posarmos de bonzinhos,” fiz minha parte”, isso não quer dizer que não ficamos sentidos com os acontecimentos de santa Maria, nossas orações não precisa ser vista ou divulgada.

  25. As pessoas comentam sobre tudo nas redes sociais. Compartilham alegria, tristeza, revolta, enfim sentimentos…
    De qualquer natureza.
    Eu e milhares de outras pessoas postamos em 27 de janeiro sobre o que aquela TRAGÉDIA , reitero, TRAGÉDIA, nos fez sentir naquele momento…
    Imaginar tanto sofrimento e desespero de milhares de pessoas naquele momento me colocou na possibilidade de estar no lugar delas… Isso se chama Empatia sobre a qual sequer preciso me estender pois, como você disse, é teu “instrumento de trabalho”, não é?
    Expressar o que eu sentia naquele momento, meu caro, era uma forma de eu dizer pra quem pudesse ou não ler: Sinto muito pela dor dessas pessoas… Sinto não estar lá pra consolá-los… Mas ainda que ninguém pudesse ler o efeito seria o mesmo… Escrevendo aquilo pude me sentir melhor, não por ser ou não lida mas, antes de tudo, foi uma forma de me sentir conectada com a dor lancinante sentida por tantos naquele momento…
    Será que eu sou assim tão boazinha? Não, tenho total noção de que sou tão egoísta quanto você ou qualquer outro ser humano que habita este planeta…
    Eu só não sou é PSICOPATA , indivíduo inábil pra sentir…
    Sinto, inclusive, que como você não difere em nada dos demais humanos, possa ter escrito este post também com o intuito de fazer o seu próprio SHOW… E imaginar quem te leu pensando: “Que cara incrível que pensa tão diferente dos demais e só enxerga hipocrisia nas publicações alheias e sensacionalismo no trabalho dos jornalistas!!! Grande sacação! Este cara esperto só podia ser mesmo psicanalista! ”
    Só que, da mesma forma que o show do que você chama de “hipocrisia e narcisismo da maioria” não te convence, o teu show de superinterpretação das manifestações públicas alheias também não convence nem a mim e nem a tantos outros… Não que você vá se importar com isto, claro, você não liga pro que pensa a multidão, não é?
    Enfim, só quis expor o que penso, o que é meu direito tanto quanto seu…
    E encerro com o seguinte: HUMILDADE E SENSATEZ POR FAVOR!!! QUEM PENSA VOCÊ QUE É PRA ROTULAR O QUE OS OUTROS SENTEM E PENSAM…
    Acha que por ser psicanalista isto te outorga o direito julgar os sentimentos alheios??? HUMILDADE E SENSATEZ, URGENTE, POR FAVOR!!!

  26. Sinceramente, não sei o que é pior: esse texto absurdo ou existirem pessoas que compartilham dessa ideia. Mas, eu também considero o holocausto um absurdo.

  27. Lucas, não sei, na verdade não faço a menor idéia do que seja esta tal “psicanalise em humanes” mas lendo seu texto o termo que me vem é humanóide. De que planeta vc vem? Ou para que espécie de gente vc escreve? A priori, entendo que todo psicanalista deve reconhecer e respeitar a dor do outro. Vc não demonstra nem um nem outro.

  28. O que a imprensa e muitos de nós fazemos é, paradoxalmente, o contrário do que tradicionalmente se orienta quando estamos enlutados!!!! Antigamente, se colocava uma faixa preta no braço ou no paletó para avisar que estávamos num momento de introspecção, de tristeza, que precisávamos de um tempo!!!! A coletividade parece preferir o lado eufórico! É triste….. Parabéns pela coragem ao falar sobre um tema tão delicado. Carla – psicóloga – Caxias do Sul

  29. Lucas, ao ler o seu texto fiquei pensando… será que ao manifestar nas redes sociais um sentimento em um determinado momento (e não falo somente nesse caso, falo também de eventos cotidianos e acontecimentos eventuais), as pessoas não estejam também utilizando-se desse espaço para encontrar quem as ouça? Não falo de um mero desabafo, um “colocar pra fora”, uma simples construção em palavras da angústia que a toma. Mas justamente a busca por um apoio, um sentimento de empatia que por vezes vá além do “Fica assim não, vai melhorar…”.
    Às vezes percebo nos comentários de amigos, colegas, conhecidos, familiares, um tom que num primeiro momento pode parecer “coitadismo”, mas que uma análise mais cautelosa faz perceber uma necessidade de acolhimento daquela dor, naquele momento.
    As redes sociais são um fenômeno deveras muito novo, e creio que ainda há muito para ser estudado sobre isso. Mas não convém crer que boa parte das manifestações nelas sejam apenas casos que possam ser isolados sob a alcunha da “síndrome de holofote”, você não acha?
    No mais, gostei bastante do seu texto, é um bom ponto de partida para se pensar.
    Um Abraço!

  30. Muito bom seu ponto de vista, ate concordo com suas palavras, por que não é necessário compartilhar e nem curtir algo que não será visto pelas pessoas que estão passando por um momento difícil, e sim só será visto pelo nosso circulo de amizade.

  31. Ei Lucas, em primeiro lugar parabéns pelo texto que só fui ler agora, gostei do seu ponto de vista, e fiquei pensando como todo esse show da vida me dá uma rasteira e me faz em alguns momentos compactuar com essa “necessidade de ibope” (você sabe como assumo minhas limitações rs, e por essa razão não vou ser hipócrita de imaginar que isso não aconteça comigo), principalmente quando posto algo e verifico quantas curtidas teve, ou eu ter mil assuntos que eu goste, mas falar daquilo que todos falam no momento, pra no fundo “mostrar” que também entendo do assunto rs (ao pensar agora que isso possa acontecer comigo me dá até uma frustração desse face rs, mas sei que isso não acontece sempre), Agora, depois de ler alguns comentários acima, eu fico admirada como as pessoas possuem a capacidade de distorcer informações, ou interpretar segundo sua própria ótica. Mas após ler esses comentários, meu senso de humor foi aguçado, e deu até pra começar bem o dia rs!! Parabéns sempre pelo ótimo trabalho informativo meu amigo. Abraços!

  32. Oi Lorena! Muitíssimo obrigado pelo seu pertinente e sincero comentário. Infelizmente, nessas horas somos obrigados a concordar com Lacan que o mal-entendido é intrínseco à comunicação.

    Um forte abraço e apareça sempre por aqui!

  33. Você entendeu o texto, Ismavete. É exatamente isso o que eu quis dizer e, acredito que de fato disse.

    Um forte abraço e obrigado pelo comentário!

  34. Muito obrigado pelo comentário, Carla! Você ressalta um aspecto bastante interessante: o quanto a nossa cultura da exposição consegue se imiscuir em territórios tão graves e íntimos quanto o luto.

    Um forte abraço e seja sempre bem-vinda aqui!

  35. Olá Milena! Gostei muito do seu comentário, sobretudo porque ele evidencia como é possível discordar sem ofender a pessoa de quem você discorda. Você apresenta um ponto de vista diferente do meu, igualmente válido e pertinente! Talvez não se trate, nas redes sociais, apenas de busca de satisfação narcísica, mas também de busca de acolhimento e empatia.

    Muito obrigado pela comentário cordial e interessante!

    Forte abraço e esteja sempre à vontade para visitar e comentar!

  36. Muito obrigado pelo comentário, Felipe! Vai ganhar um ponto a mais na média! rs Brincadeira! rs

    Forte abraço!

  37. Oi Lucas, como sempre seu artigo é brilhante. Eo o lí tardiamente.
    Há algo de narcisico sim nas redes sociais, contudo eu penso que demonstrar atos de amor, compaixão e solidariedade em qualquer cinrccunstacia é sempre um gesto nobre.
    Eu uso o meu face para divulgar fotos e ações do meu trabalho como “psicanalista voluntario”para moradores de rua. Não nego minha atitude narcisica, porém quando eu posto fotos e materias, tenho sempre um outro objetivo que é sensibilizar mais pessoas via redes para os aspectos da injustiças sociais no nosso mundo.

    Para mim este equilibrio é necessario, pois eu pesquiso as redes quase que diariamente, em suas diversas facetas, assuntos, temas etc, e é impressionante o numero de pessoas crueis, mediocres, com comentarios racistas, preconceituosos, tais como no caso de Santa Maria. Muitos comentarios diziam “bem-feito, quem mandou sair de casa” ou ainda “deveria ter sido no nordeste ou em alguma penitenciaria.

    Não podemos nos enganar. estamos queiramos ou não numa era midiatica, e as redes são usadas para todos os fins, quer sejam eticos ou escusos, mas se aqueles que ainda possuem valores humanos perenes não se manifestam contra todo e qualquer tipo de comentarios anti éticos, só nos resta sentar e esperar o apocalipse!

    Parabens Lucas.

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