
Se tem uma coisa que a gente ama na vida é nossa autoimagem.
Não, não estou falando da imagem que você vê no espelho. Dessa, você até pode não gostar muito. Estou me referindo à ideia que você faz de si mesmo, ou seja, da resposta que você daria para a pergunta “Como eu sou?”.
A gente tem um apego danado a essa ideia.
E não é por acaso: sem uma noção suficientemente coesa de como nós somos, ficaríamos perdidos, desorientados, angustiados.
Essa, inclusive, é justamente a experiência emocional vivenciada por pessoas que sofrem de problemas na estabilização da autoimagem.
No entanto, todos nós temos diversos aspectos que ficam de fora da composição da nossa autoimagem: desejos, pensamentos, crenças, sentimentos.
E por que ficam de fora?
Porque são elementos que nós consideramos incompatíveis com a autoimagem. Elementos que, se fossem incorporados a ela, comprometeriam sua estabilidade e demandariam uma reorganização.
Então, por amor à autoimagem, a gente finge que não vê esses aspectos incompatíveis e emprega defesas para evitar que eles fiquem nos perturbando e chamando a nossa atenção.
Uma dessas defesas é a formação reativa. Ela consiste em desenvolver uma atitude alinhada à autoimagem e oposta a um determinado elemento incompatível.
Exemplo clássico: um sujeito que se vê como heterossexual, mas possui desejos por pessoas do mesmo sexo.
A admissão desses desejos implicaria numa reorganização significativa da autoimagem dessa pessoa. Ela precisaria passar a se ver não mais como hetero, mas como bissexual.
Para muita gente, essa transformação não seria um problema, mas, para o sujeito do exemplo, sim. Por razões ligadas à história de vida dele, a ideia de ser hetero ocupa um lugar central em sua autoimagem.
Por isso, ele precisa se defender dos desejos homossexuais que possui e que insistem em chamar sua atenção.
Se ele utilizar a formação reativa, o resultado pode ser uma atitude homofóbica, ou seja, uma postura de aversão e repúdio à homossexualidade.
É como se, inconscientemente, o sujeito pensasse: “A prova de que sou 100% heterossexual e que, portanto, nenhum desejo por pessoas do mesmo sexo existe em mim, é que eu tenho aversão à homossexualidade e repudio o comportamento homossexual.”
Isso não significa que a formação reativa seja o único fator responsável pela homofobia ou que todo homofóbico se defenda de desejos homossexuais que não consegue reconhecer em si mesmo.
A moral da história é que o amor que a gente tem pela autoimagem nos leva a odiar os elementos que, apesar de estarem em nós, não cabem nela. E aí, no esforço para defender a autoimagem da invasão desses elementos incompatíveis, a gente pode acabar odiando o que está fora de nós, mas nos lembra que eles existem.
— Tem como mudar isso, Lucas?
Sim, existe um método que nos ajuda a reduzir esse apego excessivo que temos pela autoimagem e a perder o medo de reorganizá-la: chama-se… Psicanálise.
Pare de estudar Psicanálise de forma solta. Na Confraria Analítica, você encontra aulas semanais, seminários teóricos, estudos de casos e um acervo completo para aprofundar sua formação. Seja meu aluno!
➤ Adquira o meu ebook “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira a versão física do livro “Entenda-se: 50 lições de um psicanalista sobre saúde mental”
➤ Adquira o meu ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”
➤ Adquira o meu ebook “O que um psicanalista faz?”
➤ Adquira o pacote com os 3 e-books