Por que nos preocupamos com o outro? Winnicott explica.

Por que a gente se importa com outras pessoas?

Você já havia se feito essa pergunta?

Por que será que você se preocupa com seus amigos, familiares e parceiros amorosos?

O psicanalista inglês Donald Winnicott se interessou por investigar essa questão. Diferentemente de Freud que se dedicava majoritariamente ao estudo dos aspectos “negativos” do comportamento humano como a culpa, o mal-estar e a divisão subjetiva, Winnicott gostava de explorar também os elementos “positivos” da subjetividade, aqueles que fazem parte da dimensão saudável da experiência humana.

O sentimento de se importar com os outros é um desses elementos. A palavra em inglês que expressa essa preocupação com o próximo é CONCERN. Nas obras de Winnicott, ela comumente é traduzida em português por PREOCUPAÇÃO ou CAPACIDADE DE SE PREOCUPAR.

No artigo “O desenvolvimento da capacidade de se preocupar”, de 1963, o analista inglês afirma que “A palavra ‘preocupação’ [concern] é empregada para expressar de modo positivo um fenômeno que em seu aspecto negativo é expresso pela palavra ‘culpa'”.

De fato, nos sentimos culpados quando percebemos que causamos dano a um objeto que estimamos, o qual pode ser uma pessoa, um animal, um grupo ou mesmo uma instituição. O concern, por outro lado, diz respeito a uma atitude que justamente evita a experiência da culpa. Se me preocupo com o outro, se me importo com ele, buscarei ativamente não agir de modo a prejudicá-lo.

Para Winnicott, o concern se desenvolve já nos primeiros meses de vida, quando o bebê percebe, por intermédio de fantasias, que a expressão crua de seus impulsos pode causar dano à pessoa que ele mais ama: a mãe. Esse “insight” leva o bebê a imaginar que pode “consertar” o “prejuízo” causado à figura materna por meio de um gesto de reparação. Se o infante percebe que a mãe aceita esse seu “pedido de desculpas”, o resultado é a consolidação do sentimento de preocupação com outro, que a criança levará para todos os seus demais vínculos de amor.

Quem está na CONFRARIA ANALÍTICA receberá ainda hoje um vídeo especial em que descrevo em mais detalhes como se desenvolve o concern e por que esse sentimento pode florescer de modo distorcido em algumas pessoas.


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As 4 tentações do analista: salvador, professor, aliado e moralista

No artigo “Contratransferência”, de 1960, o psicanalista inglês Donald Winnicott afirma o seguinte: “O analista é objetivo e consistente na hora da sessão, sem pretender ser um salvador, professor, aliado ou moralista. O efeito importante da análise do próprio analista neste contexto é que fortalece seu próprio ego de modo a poder permanecer PROFISSIONALMENTE envolvido, e sem esforço demasiado.” (grifo do autor).

Winnicott elenca nesse parágrafo quatro funções que são diametralmente opostas ao papel que o analista deve exercer no tratamento: salvador, professor, aliado e moralista. Essas são, talvez, as quatro principais tentações às quais está sujeito aquele que se aventura a escutar pessoas mediante o método psicanalítico.

Quando é que o analista cede à tentação de se tornar SALVADOR? Quando considera equivocadamente que sua tarefa consiste em devolver a saúde mental ao paciente, quando se esquece da dimensão do gozo implicada em todo adoecimento emocional e quando ele próprio, o analista, passa a gozar com a fantasia messiânica de curar a alma do analisante.

Quando é que o analista cede à tentação de se tornar PROFESSOR? Quando troca a atenção flutuante e a escuta sensível e empática por um discurso que visa transmitir um saber pronto, artificial e distante da experiência do paciente ou quando tenta ensinar ao paciente como viver, ainda que a fonte de sua instrução seja o “Santo Magistério Psicanalítico”.

Quando é que o analista cede à tentação de se tornar ALIADO? Quando se coloca a serviço das ilusões egoicas, reforçando identificações ao invés de apontá-las, homologando defesas ao invés de denunciá-las, tamponando o Inconsciente ao invés de conjurá-lo por meio de pontuações, cortes e interpretações.

E, por fim, quando é que o analista cede à tentação de se tornar MORALISTA? Quando se arvora em guia espiritual do paciente, buscando submetê-lo à moral que ele, analista, adota (ou finge fazê-lo) em sua própria vida, seja ela de direita ou de esquerda, progressista ou conservadora, religiosa ou ateísta. Em outras palavras, é quando o analista para de fazer “silêncio em si” (como dizia o Nasio) e passa a “cagar regra”.


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O que é identificação em Psicanálise?

No capítulo VII do livro “Psicologia das massas e a análise do eu”, de 1921, Freud afirma que “A identificação é conhecida pela psicanálise como a mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa”.

Identificar-se com alguém significa tomar para si características e traços que são de outra pessoa. Em outras palavras, trata-se de um processo psíquico em que eu inconscientemente passo a “imitar” o outro.

É o que acontece, por exemplo, quando uma criança começa a falar de forma muito semelhante a um colega da escola ou quando uma moça que outrora odiava música sertaneja se torna fã desse estilo musical que, “coincidentemente” é o preferido da amiga por quem está apaixonada.

Portanto, o que Freud está dizendo lá em “Psicologia das massas…” é que o modo mais básico que utilizamos para nos relacionarmos com as pessoas é trazendo para dentro do nosso eu traços que são do outro.

Nesse sentido, aquilo que eu chamo de “minha personalidade”, ou seja, o conjunto de atributos que caracterizam quem sou, no fim das contas é uma mistura de traços de outras pessoas.

Ainda naquele texto, Freud distingue três modalidades de identificação:

A primeira é aquela em que eu tomo o outro como ideal, ou seja, em que eu me identifico com a pessoa porque quero ser como ela. O garotinho que passou a falar de modo muito parecido com seu colega pode ter começado a agir assim porque queria ser tão popular quanto ele.

A segunda acontece como uma reação à perda de uma pessoa amada ou em função da impossibilidade de acesso a ela. Nesse caso, eu me identifico com o outro porque não posso tê-lo. A jovem que passou a gostar de música sertaneja pode ter feito essa identificação com a moça por quem está apaixonada justamente porque não pode reconhecer seu desejo por ela devido a razões morais.

A terceira modalidade de identificação é que acontece quando nos vemos na mesma situação que outra pessoa ou percebemos ter algum elemento em comum com ela. Um rapaz, por exemplo, pode começar a ter sintomas depressivos quase idênticos aos que seu primo apresenta após saber que o familiar, assim como ele, sofreu uma grande decepção amorosa recente.


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Pais superprotetores, filhos inseguros

Um observador ingênuo, que enxergue apenas a dimensão superficial das relações humanas, poderia imaginar que pais superprotetores transformam seus filhos em seres excessivamente confiantes, corajosos e audaciosos.

Tal observador pode acreditar que o excesso de proteção faria com que os filhos não precisassem lidar com certos obstáculos da realidade externa que deixam claro para o sujeito que ele não é a última bolacha do pacote existencial. Assim, imagina-se que a criança superprotegida cresceria sem golpes muito severos em seu narcisismo, tornando-se um adulto arrogante e egoísta.

Ora, nossas observações clínicas não fazem jus a essa visão superficial.

Indivíduos que foram criados em ambientes superprotetores não raro queixam-se de insegurança e dificuldade para tomar decisões.

No plano da fantasia, sim, é possível notar a existência de um eu excessivamente idealizado – provável resquício do investimento afetivo dos pais. Contudo, essa imagem grandiosa de si mesmo não se efetiva na existência.

Pelo contrário. No dia-a-dia, o sujeito não se sente minimamente confiante e sofre quando precisa recusar demandas e sustentar posicionamentos. Nesse sentido, o eu excessivamente idealizado não funciona para a pessoa como um suporte identificatório, mas como uma compensação imaginária para os momentos de crise.

A raiz desse aparente paradoxo (ambiente superprotetor/filhos inseguros) está no conteúdo latente do excesso de cuidado exercido pelos pais.

Ao superprotegerem seus filhos, os pais podem estar, através de um mecanismo de defesa que Freud chamou de “formação reativa”, transmitindo inconscientemente à criança o seu medo de falharem como cuidadores. É como se estivessem o tempo todo dizendo: “Temos muito medo de não sermos bons pais. Por isso, precisamos exagerar nos cuidados com as crianças a fim de convencermos a nós mesmos e a elas de que esse medo é infundado”.

Já do lado dos filhos, a mensagem inconsciente dos pais é recebida como uma espécie de “atestado de fragilidade”. Ilhada na prisão superprotetora, a criança pode ser levada à seguinte conclusão: “Sou muito frágil e o mundo é muito perigoso. Por isso, papai e mamãe se preocupam tanto comigo.”.


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[Vídeo] Quais são os roteiros que você tem encenado?

Na infância, somos confrontados aos enigmas da vida. Para respondê-los, criamos fantasias, histórias, enredos que podem ser mais ou menos potencializadores, mais ou menos destrutivos. Você já se perguntou quais são os roteiros que você vem encenando?


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[Vídeo] FIXAÇÃO EM PSICANÁLISE: explicação fácil, clara e didática

Neste vídeo: o psicanalista Lucas Nápoli explica o conceito de fixação por meio de uma analogia bem simples. Confira!


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Por que não dá para fazer terapia consigo mesmo (autoanálise)?

Se desde a mais tenra idade somos levados pelas pressões sociais, a princípio encarnadas nas palavras de nossos pais, a fingir para nós mesmos que somos melhores do que efetivamente somos, que garantias poderemos ter de que, numa suposta autoanálise, teremos a capacidade de sermos sinceros com nós mesmos?

Por mais franca que uma pessoa possa ser em relação às suas motivações, seu olhar estará sempre embaçado por seus mecanismos de defesa. Afinal, seu desejo de corresponder às expectativas do Outro e se ver como uma pessoa “do bem” e “de bem” será sempre mais forte do que seu esforço para se autoenxergar. É por isso que a presença de um terapeuta é fundamental. De fato, é ele quem, desprovido dos vieses que ofuscam o olhar do paciente, estará suficientemente aberto para escutar as vozes da dimensão natural/espontânea que, ainda que abafadas, se fazem ouvir…

Leia o texto completo em bit.ly/drdautoanalise


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A faceta narcísica do ciúme

Tradicionalmente nos acostumamos a pensar o ciúme como sendo resultante do medo de perder o objeto amado.

Isso leva algumas pessoas a pensarem que o ciumento é tão-somente um ser que “ama demais” a ponto de não suportar a perspectiva de perder o parceiro ou a parceira.

Essa visão obscurece o aspecto eminentemente narcísico presente em toda manifestação de ciúme.

Com efeito, o que o ciumento verdadeiramente não suporta não é exatamente a ausência do objeto amado, mas sim o buraco aberto em sua autoimagem ao imaginar que seu parceiro ou parceira possam preferir outra pessoa, o que Freud chamava de “ferida narcísica”.

Em outras palavras, o ciúme é um sentimento que brota muito mais da relação entre o sujeito e seu ego do que da interação entre o sujeito e o outro.

Isso não significa que apenas seres com uma autoestima frágil estão propensos a sentirem ciúme; trata-se de um sentimento universal. De fato, todos nós temos a tendência de idealizar nosso papel nas relações amorosas, acreditando  que somos o objeto mágico que fará do outro um ser “completo” e eternamente satisfeito.

A realidade, contudo, nos informa que isso é apenas uma fantasia, ou seja, que, a despeito da nossa existência, o outro continua e continuará sendo “incompleto”!

Não raro, o ciúme é justamente a expressão de indignação do ego diante da constatação de que não é “tudo” para o outro.

Portanto, a pergunta que atormenta o ciumento é a seguinte: “Como assim não sou suficiente para fazer o outro feliz?”.

Além dessa faceta narcísica, há outros elementos mais especificamente neuróticos que podem ser encontrados nas manifestações de ciúme. Aqueles que estão na Confraria Analítica receberão ainda hoje (sexta) um vídeo em que comento esses outros elementos.

Você se considera uma pessoa ciumenta?


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Preciso mesmo fazer terapia?

Muitas pessoas se perguntam se um bom exercício de autorreflexão honesta não poderia substituir a entrada em um processo psicoterápico.

Do meu ponto de vista, acredito que não. Por mais perspicácia e conhecimento de Psicologia que uma pessoa possa ter, há certos EFEITOS SUBJETIVOS que só podem ser produzidos em uma relação de diálogo com um outro que esteja exclusivamente disposto a nos ajudar a pensar.

Dentre tais efeitos, cito dois:

1. Ao exercer a função de testemunha, o terapeuta leva o paciente a se responsabilizar pelo que pensa e diz, implicando-se em seu próprio discurso. Em nossas supostas autoanálises, frequentemente damos desculpas para nós mesmos, o que nos leva a um processo de autovitimização que não nos deixa sair do lugar.

2. A mera expressão de nossos pensamentos por meio da fala para um outro já é, em si mesma, terapêutica. Todo mundo conhece o alívio que traz um bom desabafo. Contudo, na terapia não se trata apenas de desabafo, mas de RELATIVIZAÇÃO. Sim! A necessidade de compartilhar nossos pensamentos com o terapeuta faz com que eles percam imediatamente o poder avassalador e onipotente que detinham quando eram apenas nossos. Às vezes o paciente chega até a rir de pensamentos que antes de serem verbalizados lhe causavam grande sofrimento.

Por essas e outras, acredito que pensar sobre si mesmo é uma tarefa que só se pode fazer adequadamente quando se está muito bem acompanhado.


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Será que você quer mesmo melhorar?

Uma pessoa que decide procurar ajuda psicoterapêutica geralmente só consegue se enxergar como vítima do sofrimento que lhe acomete.

Na maioria das vezes, não passa pela cabeça dela que, em alguma medida, aquele sofrimento foi produzido e está sendo mantido por ela mesma.

Isso acontece porque não conseguimos perceber com facilidade os RACIOCÍNIOS INCONSCIENTES que estão por trás da maioria de nossas ações.

Sofremos com pensamentos obsessivos, mas não conseguimos identificar com clareza os motivos pelos quais eles não saem da nossa cabeça. Padecemos com desânimos, ansiedades e tristezas, mas não discernimos de onde essas coisas vêm.

Assim, chegamos ao consultório de um terapeuta com um pedido básico: “Livra-me desse mal!”.

Diante dessa demanda, o que um psicanalista faz?

Ele a acolhe, a recebe, a legitima. Mas… E esse “mas” faz toda a diferença: ao invés de simplesmente aceitá-la como tal, o analista a transforma numa pergunta ao paciente: “Será que você quer de fato se livrar desse mal?”.

Diferentemente do que imagina o senso comum, o adoecimento emocional não acontece por acaso nem é apenas uma reação passiva a acontecimentos da vida.

Toda enfermidade psíquica se desenvolve para cumprir certas FUNÇÕES na vida do sujeito.

No fim das contas, a gente adoece para não ter que fazer contato com a parte obscura da própria alma. Nesse sentido, a mera eliminação dos sintomas nos tornaria vulneráveis a nós mesmos. Assim, conscientemente queremos ter saúde, mas inconscientemente desejamos permanecer doentes como medida de proteção.

É por isso que a primeira etapa de uma terapia psicanalítica consiste em mudar a posição do paciente em relação ao seu adoecimento. O analista convida o sujeito a parar de olhar para seus sintomas como meros entraves à sua felicidade e passar a enxergá-los como escudos que ele próprio construiu para se proteger de si mesmo.


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Quais são as SUAS pedras de crack?

Se você reside em uma cidade de médio ou grande porte, certamente a cena abaixo lhe é familiar:

O sinal está vermelho no semáforo. Você para o seu carro e logo vem uma pessoa franzina, maltrapilha e se oferece para limpar o para-brisa do veículo em busca de alguns trocados. Embora diga que precisa do dinheiro para se alimentar, você sabe que muito provavelmente ela está juntando aquela grana para comprar algumas pedras de crack na boca de fumo mais próxima.

É muito tentador imaginar que aquele ser humano é completamente diferente de nós porque supostamente não sofremos de uma dependência tão visceral quanto a dele.

Será mesmo?

Se você ainda não se tornou insensível à presença dessas pessoas, é provável que às vezes se faça perguntas do tipo: “Como é que alguém consegue passar o dia inteiro ao sol, se oferecendo para limpar para-brisas de carros, sendo frequentemente humilhado por alguns motoristas, tudo isso para ter um gozo extremamente efêmero com uma pedra de crack?”

De fato, para muitos dependentes, comprar crack e fazer uso da droga passaram a ser as metas principais de seu cotidiano, aquilo pelo que enfrentam as dificuldades do dia a dia. O consumo da droga passa a ser o eixo em torno do qual gira sua rotina. Mais uma vez: nossa tendência é imaginar que, por não estarmos nessa condição, somos radicalmente diferentes dessas pessoas.

Mas não somos. Todos nós temos as nossas pedras de crack, isto é, aquilo pelo que não medimos esforços, suportamos qualquer perrengue, fazemos qualquer negócio… Cada um de nós tem os seus respectivos ídolos, os seus absolutos. Aristóteles usava uma expressão muito interessante para caracterizar essa Coisa em torno da qual fazemos nossa vida girar: ele a chamava de “Sumo Bem”. Por ele, podemos ser capazes de dar nossa própria alma.

Portanto, será que há tanta diferença assim entre você e aquele pobre dependente químico que lhe pede dinheiro no semáforo? Você e eu também não passamos a vida inteira em busca de fugazes experiências de satisfação? Ele as procura em pedras de crack. Nós as buscamos no reconhecimento do outro, na política, no novo iPhone, no sexo, numa promoção no trabalho, em curtidas no Instagram, enfim…


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[Vídeo] O enlace doentio do masoquista inconsciente com seu carrasco

Não é por acaso que pessoas que carregam um sentimento crônico de culpa se envolvam amorosamente com indivíduos acusadores e vitimistas.


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[Vídeo] Psicanalista explica os ATOS FALHOS

Neste vídeo: entenda a função dos atos falhos e saiba porque Chaves é o personagem mais freudiano da história da televisão.


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Por que estamos tão ansiosos atualmente?

Se tomarmos a ansiedade como uma espécie de medo do futuro, podemos verificar com alguma clareza os fatores socioculturais contemporâneos que colaboram para o aumento expressivo do número de indivíduos que “sofrem de ansiedade”. Com efeito, o mundo atual eleva à enésima potência o foco moderno no futuro. Diferentemente dos medievais que conseguiam descansar no presente cientes de que “o futuro pertence a Deus”, nós, modernos, acreditamos que o futuro é resultado de nossas ações no presente. Ao mesmo tempo, sabemos que isso não é totalmente verdade visto que nossas ações concorrem com as ações de outras pessoas e não se pode negligenciar o peso de fatores absolutamente imponderáveis como uma pandemia, por exemplo.

Espero que você tenha percebido que, no fim das contas, na modernidade temos uma concepção incerta de futuro, uma visão que nos leva a pensar constantemente que “tudo pode ir por água abaixo”. A crença medieval em uma história com final feliz (a realização plena do Reino de Deus narrada no livro do Apocalipse) possibilitava ao sujeito viver sob a égide daquela velha frase água-com-açúcar: “No fim, tudo dá certo. Se não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim.”. Não há como sofrer com ansiedade pensando dessa forma!

Já no mundo moderno, funcionamos com base na ideia de que “No fim, as coisas podem dar certo ou podem não dar; depende…”. Como não viver ansioso tendo essa visão de futuro? A ênfase moderna num futuro a ser inventado coloca sobre os ombros do sujeito uma autocobrança constante (“Se eu não agir, nada acontecerá!”) e uma ansiedade crônica, pois, como não se trabalha com a ideia de uma história com final feliz, mas com uma concepção infinita de história, o futuro só pode ser visto como meta… e perigo.

Leia o texto completo em bit.ly/drdansiosos


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O que é neurose em Psicanálise?

O termo “neurose” não nasceu no campo psicanalítico.

Ao que parece, ele foi introduzido na medicina em meados do século XVIII por um sujeito chamado William Cullen para designar certas doenças físicas cuja causalidade estaria relacionada a “problemas de nervos”. Daí a raiz etimológica da palavra: a junção entre os termos gregos “neuron” (nervo) e “osis” (estado patológico).

Percebe-se, portanto, que, originalmente, neurose tinha como referentes quadros que atualmente costumamos chamar de “psicossomáticos”. O próprio Freud utilizou o conceito nesse sentido quando propôs a categoria de “neuroses atuais” para caracterizar certas doenças físicas que seriam ocasionadas por uma vida sexual excessivamente insatisfatória.

No entanto, a acepção de neurose que se consolidou no campo psicanalítico foi aquela que Freud empregou para designar o que ele chamou inicialmente de “psiconeuroses”.

Trata-se de enfermidades cuja origem é totalmente psicológica (daí o acréscimo do prefixo “psico”) e cujos sintomas são o resultado de conflitos psíquicos insuportáveis entre certos anseios infantis da pessoa e a imagem que ela pretende ter de si mesma.

Em outras palavras, a neurose acomete aqueles indivíduos que mantêm um apego excessivo a determinados desejos da infância e, ao mesmo tempo, se condenam exageradamente por nutrirem tais desejos. Os efeitos desse “beco sem saída” no qual o neurótico se coloca são os sintomas: disfunções corporais na histeria, pensamentos obsessivos e compulsões na neurose obsessiva e evitações na fobia.

Os sintomas neuróticos são uma forma patológica de resolução do “beco sem saída”: eles satisfazem simbolicamente os anseios infantis ao mesmo tempo em que protegem a pessoa de tomar consciência desses desejos, permitindo, assim, que ela mantenha sua autoimagem intacta. O problema é que esse “jeitinho” acaba sendo fonte de dor, sofrimento e perda de energia.

Logo mais, publicarei um vídeo para os membros da Confraria Analítica contendo mais detalhes e aprofundamentos acerca do conceito psicanalítico de neurose.


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