Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!
Antes de elaborar o método de tratamento das neuroses que viria a chamar de Psicanálise, Freud, juntamente com seu então amigo Josef Breuer, fazia uso da hipnose como forma de curar suas pacientes histéricas. Podemos, pois, dizer que os dois médicos encontravam-se naquele momento em pé de igualdade quanto aos meios de acesso ao mistério chamado histeria.
Apesar disso, logo surge um desnível entre os dois homens em virtude das respostas dadas por cada um deles à pergunta: “Por que a histérica não consegue se lembrar da ocasião em que surgiram seus sintomas ou por que ela só o faz em hipnose?”.
Breuer, como respeitado médico que era, não conseguiu se desvencilhar da hipótese mais óbvia para os médicos, a orgânica. Então disse: “A histérica não consegue se lembrar da ocasião em que surgiram seus sintomas porque nessa ocasião ela não se encontrava completamente consciente, ela estava com sono ou muito cansada. Assim, a lembrança dessa situação ficou separada do resto das suas repesentações mentais – por isso ela não consegue lembrar. E só pode lembrar em hipnose porque o estado hipnótico é parecido como o estado em que ela estava na ocasião em que surgiram os sintomas.” A esses estados de sono e cansaço que se assemelham à hipnose, Breuer chamou de “estados hipnóides”.
Já Freud, como jovem médico que era e não tão ingênuo quanto Breuer, preferiu prestar menos atenção no preconceito organicista do que na fala das pacientes. E é então que ele formula a hipótese que se tornaria a pedra angular da Psicanálise, a hipótese já tão falada aqui chamada “recalque”. Sua resposta à pergunta inicial então é: “A histérica não consegue se lembrar da ocasião em que surgiram seus sintomas porque ela definitivamente não quer se lembrar delas. E por que não quer? Porque elas lhe trazem sofrimento. E por que trazem sofrimento? Porque essas lembranças mostram os mais íntimos desejos da histérica e dos quais ela nada quer saber porque eles manchariam a imagem perfeita que ela nutre de si mesma. Essas lembranças, então, foram reprimidas por ela, instalando uma divisão na sua vida mental entre uma parte consciente e outra inconsciente.”
Com essa resposta, Freud ao mesmo tempo em que mostra que o ser humano é fundamentalmente dividido, evidencia também a presença do sujeito no organismo. Mais: Freud mostra que por trás do sofrimento do qual a paciente se queixa há um desejo, ou seja, a doença neurótica não é só algo que a pessoa sofre, mas que a própria pessoa produz – o paciente é responsável por seu sofrimento.
Apesar de há mais 150 anos Freud ter dito tudo isso, a Psiquiatria de hoje ainda insiste em sustentar posições caducas semelhantes às de Breuer, ao dizer por exemplo, que a depressão é apenas um funcionamento desregular do circuito serotoninérgico. Com isso, todo o tratamento passa a ser apenas questão de entupir a boca do paciente com os Prozacs da vida, para que ele não fale e, por conseguinte, não pense sobre o que aconteceu em sua vida que o fez ficar melancólico, ou melhor, o que ele fez para ficar melancólico.
Paradoxalmente, são posturas como essa que fazem a Psicanálise sobreviver, como sempre marginalmente. Por que por mais que a fluoxetina regule os níveis de serotonina no organismo, ela jamais reorganizará os significantes que determinam a vida de uma pessoa. Para esse tipo de desordem, senhoras e senhores, até hoje há apenas um remédio – e foi Freud quem o inventou…
As senhoras e os senhores que frequentam assiduamente este blog, provavelmente já devem ter me visto repetir algumas vezes uma fórmula que nos serve de eixo para o entendimento (?) do que é o homem. Costumamos dizer que “o homem é um ser que não nasce sabendo viver”.
Essa fórmula, absolutamente óbvia mas que muitos insistem em negligenciar por motivos que não vêm ao caso no momento, já foi pronunciada de outras maneiras, ainda que com consequências distintas. Vemos, por exemplo, um Sartre fundamentar todo o seu Existencialismo a partir da afirmação de que, no homem, “a existência precede a essência”.
A obviedade presente nessas formulações pode ser escancarada se verificarmos os casos de crianças que não foram criadas num ambiente humano, mas em contato com macacos ou lobos. Invariavelmente, elas se comportam… como macacos ou lobos. É o mesmo que acontece em relação ao peixe Betta(desses que devem ser criados sozinhos num aquário). Para que o Betta macho produza as bolhas que servirão de ninho para os ovos da fêmea, ele precisa visualizar a fêmea. Ou seja, uma simples imagem é capaz de gerar efeitos no organismo do peixe. Tanto é assim que não é necessário que o macho visualize uma fêmea real, mas apenas uma foto de uma fêmea.
No humano, isso ocorre principalmente com relação à imagem que temos de nós mesmos (nosso eu). A construção dessa imagem depende das imagens com as quais temos contato, isto é, com as imagens de nossos semelhantes, com os diversos outros que aparecem durante nossa vida. No caso das crianças criadas no meio de macacos e lobos isso fica evidente: se os outros com os quais elas convivem são macacos e lobos, logo elas vão se comportar como macacos e lobos. Por isso a máxima: “Diga-me com que andas e te direi quem és” porta algo de verdade.
Basta você fazer um pequeno exercício de observação:
Veja por exemplo um casal de namorados. Com apenas alguns anos de relacionamento amoroso, os dois parceiros já portam feições, manias e traços um do outro, o que fica bastante evidente principalmente quando as relações terminam. Outro exemplo, esse ainda mais visível: pense aí nos vários traços de comportamento que você compartilha com seu pai ou sua mãe: é o tradicional “Fulano puxou isso do pai…”
Disso tudo podemos concluir que o nosso eu, aquilo que pensamos ser a nossa identidade, é, na verdade, um amontoado de traços que foram tomados dos outros. Em outros termos, o eu é um agrupamento de identificações.
É esse registro da experiência humana em que o sujeito se relaciona com seu eu e que o eu de uma pessoa se relaciona com o eu de outra que Lacan chama de Imaginário.
O grupo O Rappa sempre foi pródigo em nos premiar com letras belíssimas, bem elaboradas e cujo conteúdo geralmente é associado a problemas sociais. É assim com “Hey Joe”, “Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro”, “O que Sobrou do Céu” e também com a música mais famosa da banda, “A Minha Alma”, que leva como título alternativo (e muito melhor) “A Paz que eu Não Quero”.
Após ter escutado algumas centenas de vezes a música, penso que, involuntariamente, Marcelo Yuca, ex-integrante da banda e autor de “Minha Alma”, acabou por expressar nessa música não só a hipocrisia da classe média perante a violência. O compositor nos deu uma fabulosa descrição de como se constitui aquilo que em Psicanálise chamamos de “ego”, isto é, aquela imagem que temos de nós mesmos e que ilusoriamente acreditamos resolver o problema da eterna pergunta “Quem sou eu?”.
Desde os tempos pré-históricos da Psicanálise em que a hipnose era o método de tratamento em voga, Freud já sacava que a origem do sofrimento neurótico de seus pacientes situava-se num conflito entre a imagem que o paciente tinha de si mesmo (idealizada, diga-se de passagem) e as fantasias sexuais perversas que nutria. Quer dizer, todo o conflito estava no fato de que o paciente, apegado a uma imagem idealizada de si, não aceita para si mesmo aquilo que ele verdadeiramente deseja.
A partir de então, o ego passa a ser visto como o maior obstáculo do tratamento visto que é o apego do paciente a ele que impede o reconhecimento do verdadeiro desejo. Tamanha força do ego reside na sua capacidade de fazer frente aos impulsos sexuais perversos por meio dos mecanismos de defesa, sendo o principal o recalque. Como vocês já devem saber, o ego exclui do campo da consciência quaisquer vestígios desses impulsos deixando-os marginalizados, tal como a sociedade capitalista faz com aqueles que perdem na guerra do consumo, obrigando-os a viver em favelas e cortiços.
Assim, ao mesmo tempo em que o ego nos protege de nos vermos como perversos ele nos prende a imagem que não nos permite termos acesso à verdade de nosso desejo. Uma verdade dolorosa, mas uma verdade. Ora, não é exatamente isso, o que Yuca demonstra ao escrever na segunda parte de “Minha Alma”?:
“As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão”
Essa dúvida de que Yuca fala, pode ser tomada tanto no nível da tradicional dúvida obsessiva, quanto no nível da angústia, sinal inconfundível da iminência do impulsos recalcados.
Excluindo do campo da consciência os impulsos sexuais perversos, o ego promove uma aparente paz na vida mental. Na medida em que os impulsos se tornam inconscientes, o sujeito passa a fazer de conta que eles não existem, permanecendo aferrado à imagem ideal de si. Porém, como diz a música, essa é uma “paz sem voz” que acaba revelando-se um medo disfarçado. Medo de reconhecermos para nós mesmos que somos capazes de ter tais e tais fantasias.
Mas não pensem vocês que esse medo não tem nada de vantajoso. Essa paz implicada no processo de defesa do ego acaba produzindo uma sensação também ilusória de felicidade. A pergunta, que o analista coloca para o analisando e que se personifica na letra de “A Minha Alma” é:
“Qual a paz que eu não quero conservar,
Pra tentar ser feliz?”
O trabalho de análise é justamente a resposta o que o autor demanda quando pede para que não o deixe “sentar na poltrona num dia de domingo, procurando novas drogas de aluguel”.É colocar voz na paz…
SERVIÇOS:
Veja o premiadíssimo clipe de “A Minha Alma”
QUER SABER MAIS SOBRE O EGO? ADQUIRA JÁ O LIVRO “O EGO E OS MECANISMOS DE DEFESA” DE ANNA FREUD POR APENAS R$ 36,00 NA LIVRARIA CULTURA. É SÓ CLICAR NO BANNER ABAIXO E DIGITAR O TÍTULO DO LIVRO NA BUSCA.
No último post vimos que a concepção winnicottiana de mente é revolucionária em muitos aspectos. O primeiro deles refere-se ao fato de que, se para a grande maioria dos psicólogos e filósofos, a mente é algo já dado, já presente na constituição inata do homem, para Winnicott a mente surge fundamentalmente como uma reação. Reação, em primeiro lugar, à mãe que não se comporta de acordo com os desejos da criança e, em última instância, ao acaso do mundo.
Uma segunda implicação dessa concepção é a de que eu posso fazer da mente tanto um instrumento de compreensão do mundo quanto uma defesa contra o mundo. Uma vez que a mãe falha e a mente emerge como uma função que dará asas à imaginação do bebê para buscar compreender por que a mãe falha, a mente então pode ser utilizada como o instrumento que possibilitará essa compreensão. Por outro lado, o sujeito pode fazer uso dessa mesma função para afogar-se em um mar de explicações, transformando aquilo que serviria para compreender, numa forma de intelectualização que só serve para que o sujeito se defensa de sua incapacidade de compreender.
Pois bem, senhoras e senhores, não é exatamente essa última alternativa a da Filosofia, da Teologia e da Psicologia tal como nós as conhecemos? Com seus conceitos afastados do mundo real, imersos nas categorias do metafísico e do metapsicologia, buscam uma compreensão do mundo, de Deus e do psiquismo que se perde numa imensidão de abstrações (Exceção feita a Nietzsche, Spinoza, os pragmáticos e alguns outros filósofos).
Os teólogos, principalmente, são os maiores representantes desse uso inadequado da mente (como intelectualização): por não compreenderem a vontade divina (mistérios insondáveis, já dizia a Bíblia), inserem Deus e tudo o que se relaciona a ele nas categorias da razão, esterilizando a Revelação.
Por mais que eu aprecie a teoria lacaniana da Psicanálise, também não posso deixar de incluí-la no conjunto daqueles que preferiam o conforto do mundo das idéias. Façamos justiça: a ética lacaniana, o tempo lógico, o estádio do espelho e o destaque dado à função do significante no psiquismo, foram contribuições extraordinárias de Jacques Lacan. Porém, a ênfase dada à topologia, à teoria dos nós e à matemática, são coisas absolutamente desnecessárias à Psicanálise. Só servem para fazer o campo analítico ficar parado no tempo, masturbando-se intelectualmente em torno das ilustrações lacanianas.
Na outra ponta do barbante, encontram-se aqueles nos quais a função da mente parece não ter surgido. Lembrem-se: a mente, para Winnicott, só surge porque o sujeito percebe que o mundo falhou. Então ele tem que parar para matutar sobre o mundo pra tentar entender porque ele falhou. Daí pode-se depreender a ausência de intelectualidade tão comum na contemporaneidade e que se exemplifica por aqueles que frequentam micaretas. A ilusão dada por esse tipo de evento e tudo o que a ele se associa, quer dizer, os comportamentos cotidianos bem como os “aquecimentos” e “ressacas” é a de que o sujeito pode tudo, que para beijar uma garota basta que ele a puxe pelo braço, que a vida é uma bebedeira e uma festa perene.
Um sujeito desses vai pensar? Pra quê?…
SERVIÇOS:
QUER SABER MAIS SOBRE AS APLICAÇÕES DAS IDÉIAS DE WINNICOTT? ADQUIRA JÁ O LIVRO “WINNICOTT E SEUS INTERLOCUTORES” COM ARTIGOS DE VÁRIOS AUTORES POR APENAS R$ 42,90 NA LIVRARIA CULTURA. É SÓ CLICAR NO BANNER ABAIXO E DIGITAR O TÍTULO DO LIVRO NA BUSCA.
Para qualquer um que se inicie na leitura de Lacan, a acidez das críticas do psicanalista francês faz com que a pessoa pense sempre duas vezes antes de ler outros pensadores da Psicanálise, sob o risco de estar consumindo lixo. Assim também aconteceu comigo em relação a D. W. Winnicott. Sempre tendo em mente as chacotas de Lacan sobre o que Winnicott concebia a respeito do papel do analista (isto é, fazer as vezes de uma mãe suficientemente boa), acabei por só me introduzir na obra winnicottiana bem mais tarde, a partir do 6º. período, influenciado pelas aulas de Psicologia dos Portadores de Necessidades Especiais.
Deixando o criticismo sintomático de Lacan de lado, hoje enxergo nas idéias de Winnicott uma das mais inventivas teorias em Psicanálise. Volta e meia vocês verão por aqui mais reflexões sobre conceitos-chave do analista inglês, como essa aqui. Hoje, influenciado por uma palestra do psicanalista André Martinsque você encontra aqui, vou discutir um pouco a idéia de mente em Winnicott e suas interessantes implicações.
Em primeiro lugar, Winnicott traça uma diferenciação entre psique e mente. Isso aparentemente pode até lembrar a antiga distinção entre alma e espírito proposta por alguns teólogos e filósofos, mas é só aparência, não tem nada a ver. Para Winnicott, a psique é como se fosse composta das imagens resultantes da percepção da vivência corporal. Então, todas as sensações e experiências que tenho com meu corpo resultam em imagens que compõem minha psique. Só que tem um detalhe: mesmo sendo a psique dependente do corpo, eles não estão naturalmente ligados. Tanto é assim, que existem sujeitos esquizofrênicos que não reconhecem seu próprio corpo. É preciso, então, que exista um ambiente que ajude essa junção entre psique e corpo a ocorrer. Qual é o primeiro ambiente da criança? Óbvio: a mãe. Então a mãe deverá ser uma ambiente facilitador para promover a ligação entre a psique e o corpo. Como ela faz isso? Nada demais, basta que ela seja uma boa mãe, ou melhor, uma mãe suficientemente boa.
Esse é um dos conceitos que mais causa confusão nos neófitos na leitura de Winnicott. A mãe suficientemente boa (ou mãe boa o bastante) não é a super-mãe que não tem falhas. Pelo contrário: a mãe suficientemente boa é só aquela mãe comum que deu origem a esse conceito mais do que infeliz de “instinto materno”. É aquela mãe que é capaz de se identificar com a criança e atender às suas necessidades básicas. Ou seja, senhoras e senhores, é só fazer o básico.
Então se a mãe for suficientemente boa, ela vai permitir que a psique da criança se una a seu corpo. Mas nesse ponto o leitor pode pensar: “Tá, mas será que esse processo acontece assim de forma tão perfeita? A mãe não pode ser perfeita, ela comete falhas, e aí?”
É nesse ponto, meus amigos, que Winnicott lança mão do seu conceito de mente. Para ele, a mente é fundamentalmente a função que a criança utiliza para suportar as falhas maternas. Mas, atenção, o bebê não sabe que o que está acontecendo com ele são falhas da mãe. Ele só sente a sensação de desprazer e de que as coisas não estão indo bem. Então, para suportar as angústias geradas por essa situação, o que o bebê faz? Cria uma teoria. Sim, não pensem vocês que a criança não pensa. É óbvio que naquele momento ela não possui as categorias racionais que nós possuímos. Mas mesmo nesse nível primário ela pensa. E o interessante é que ela só pensa porque as coisas não deram completamente certo. Sim, porque até então, sentindo apenas prazer, ela não tinha porque ficar matutando sobre a vida. Só agora, que a mãe falhou, é que surgem as questões: “O que houve? Por que isso está acontecendo? O que é o mundo? Como ele funciona?”
O barato, senhoras e senhores, é que essa idéia permite que a gente entenda um gama enorme de fenômenos: desde a incapacidade intelectual dos frequentadores de micaretas até a intelectualidade exacerbada das teorias em ciências humanas.
MAS ISSO FICA PARA O PRÓXIMO POST…
SERVIÇOS:
QUER SABER MAIS SOBRE AS IDÉIAS DE WINNICOTT? ADQUIRA JÁ O LIVRO “O BRINCAR E A REALIDADE” DO PRÓPRIO AUTOR POR APENAS R$ 45,00 NA LIVRARIA CULTURA. É SÓ CLICAR NO BANNER ABAIXO E DIGITAR O TÍTULO DO LIVRO NA BUSCA.
Foi com o chiste acima que o jogador Ronaldo Nazário de Lima, vulgo Ronaldo Fenômeno terminou de responder a uma pergunta sobre a influência do sexo antes de uma partida no programa Altas Horas da TV Globo.
Essa foi mais uma amostra da característica mais marcante de Ronaldo. Não, não estou falando de suas arrancadas ou de sua facilidade para marcar gols. Falo desse traço de caráter bastante comum nas celebridades que chamei de “auto-sabotador”.Ronaldo parece fazer questão de queimar o próprio filme. Que os freudistas de plantão não pensem que estou falando do tal masoquismo. Não! Apesar do jogador ter certa predileção por “mulheres com algo a mais” não creio que ele seja perverso.
Ronaldo está mais para aquele tipo de pessoa que Freud chamou de “arruinados pelo êxito” no texto “Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico”, de 1916. Tais pessoas parecem ser incapazes de tolerar a felicidade, acabando por prejudicarem a si mesmas no momento em que realizam seus desejos e anseios. Isso é absolutamente paradoxal e sobretudo para Freud o foi, uma vez que ele estava acostumado a tratar pacientes cuja neurose se inciava a partir de uma frustração, de um desapontamento e não do sucesso.
O histórico de “auto-sabotagens” de Ronaldo começou a partir da Copa do Mundo de 98. Lembram-se da “amarelada”, que na verdade foi uma convulsão cujo mistério poderia estar no livro “Estudos sobre Histeria”? A partir dali, foi ruína em cima de ruína: a começar pelas contusões. A cada vez que Ronaldo estava num momento ótimo de sua carreira, sobrevinha uma contusão no joelho, que, salvo a selvageria analítica, poderia muito bem ser enquadrada no que a gente chama de “compulsão à repetição”. A partir do ano passado as “auto-sabotagens”, além do corpo, foram estendidas para a imagem de Ronaldo na mídia: o escândalo com os travestis, as fotos tiradas do jogador bem rechonchudo fumando e, mais recentemente, as baladas e atrasos nos treinos.
Como é que a gente explica todos esses comportamentos esdrúxulos?
Para Freud, trata-se do bom e velho superego dizendo: “Você pode ser tudo menos igual ou maior que seu pai. Goze da vida do jeito que dá: sendo mais um Zé Mané como os outros.”Forbes compartilha dessa idéia de Freud, mas prefere analisá-la sob um outro ponto de vista.
O psicanalista vê nas “auto-sabotagens” de Ronaldo, Amy Winehouse, Britney Spears, Michael Jackson e companhia limitada, uma maneira burra de lidar com a principal consequência do sucesso: o destaque do resto dos mortais. Quem faz sucesso torna-se só pois torna-se único (Só existe um fenômeno). Portanto, não pode mais se reconhecer nos outros, o que, em se tratando da espécie humana é terrível. A saudade desse reconhecimento faz com que os “fenômenos” tentem voltar a sermerosacontecimentos naturais. Alguns conseguem fazer isso de forma criativa: Romário, por exemplo, ficou mascarado; Pelé “dividiu-se” entre o Edson Arantes e o Pelé propriamente dito.
Outros, porém, e entre eles está Ronaldo, só conseguem descer do pedestal em que foram colocados levando tombo, se machucando, fazendo ato-falho…
SERVIÇOS:
Veja abaixo o vídeo com a entrevista de Ronaldo no Altas Horas:
QUER SABER MAIS SOBRE ATO-FALHO? ADQUIRA JÁ UMA DAS GRANDES OBRAS DE FREUD: “A PSICOPATOLOGIA DA VIDA COTIDIANA”POR APENAS R$ 50,00 NA LIVRARIA CULTURA. É SÓ CLICAR NO BANNER ABAIXO E DIGITAR O TÍTULO DO LIVRO NA BUSCA.
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!
Creio que essa frase seja uma das mais polêmicas já proclamadas pelo psicanalista Jacques Lacan. Mas creio também que isso se deva ao fato de a maior parte das pessoas não entenderem porque Lacan a disse e considerá-la apenas como mais uma justificativa para o preconceito segundo o qual a Psicanálise é machista. Portanto, vamos tratar de botar os pingos nos “is”.
Uma das características mais geniais de Lacan era a sua capacidade de pegar as teorias elaboradas por Freud e tirar delas algumas frases de efeito. Esse é o caso de “A Mulher não existe”. É óbvio que Lacan não está dizendo que os seres do sexo feminino (com vulva, vagina, ovários e etc.) não existam. Ele não era psicótico a esse ponto. O que ele está dizendo é que as mulheres existem, mas A Mulher não. Para entender de onde ele tirou isso, convido meus caros leitor e leitora para um exercício de imaginação.
Imaginem que vocês se encontram por volta das idades de 4 ou 5 anos. Agora, se imaginem (nessa idade) vendo os corpos nus de um menino e de uma menina. Qual a primeira diferença que vocês irão notar? É óbvio: que no menino há uma coisa entre as pernas e que na menina não há uma coisa no meio das pernas. Lembrem-se: nessa época (4 a 5 anos) a gente, mesmo que tenha lido os livros de ciência, ainda não tem como certa a existência do órgão sexual feminino (a vagina). Então, o que a gente vê é que no menino há uma coisa e na menina não há uma coisa. Qual a conclusão mais óbvia a ser tirada dessa visão? A de que o menino possui aquilo que na menina falta.
Então, senhoras e senhores, como vai se inscrever na cabecinha de todos nós a diferença entre os sexos, quer dizer, como é que a gente vai interpretar o que é homem e o que é mulher? A partir desse objeto que o homem tem e a mulher não tem. Portanto, na nossa cabeça (Lacan diria, na ordem simbólica) a gente tem como dar uma resposta para a pergunta “O que é o homem?”. Qual resposta? “O homem é aquele que possui o objeto”. Agora, para saber o que é a mulher a gente só tem uma definição negativa: “A mulher é aquele ser que não é homem, ou seja, que não tem o objeto”. Mas essa resposta não serve! Afinal, a gente poderia dizer: “Beleza, se a mulher não é o homem então o que ela é?” É uma pergunta para a qual não se tem a resposta porque no caso da mulher não há esse objeto que a represente.
Conclui-se então que a idéia do que é a mulher, de sua essência, de seu desejo realmente não existe. Por quê? Porque diferentemente do homem ela não tem um objeto que a represente – esse objeto Freud chamou de “falo”. Então, na nossa cabeça, no mundo simbólico, a mulher não tem representação. Por isso, Lacan diz que “A Mulher (e aí a gente pode completar com: “A mulher enquanto representação do que é a mulher”) não existe”.
Isso é ruim? Ao meu ver, muito pelo contrário! Meus alunos e alunas de aulas particulares conhecem muito bem o que pensoa respeito disso. Se a mulher não tem uma representação de si mesma, isso significa que ela pode inventar sua essência! É por isso, por exemplo, que nenhuma mulher gosta de encontrar numa festa outra mulher com o mesmo vestido dela. Mulher gosta de se sentir única, singular, exatamente porque ela não tem uma definição padrão do que é ser mulher. Já homem não. Homem gosta do mesmo, do padrão. Numa festa de gala, estão todos de terno. São raríssimas exceções os que querem se diferenciar – e não são vistos com bons olhos.
Por isso, minha cara leitora, quando ouvir por aí um lacaniano dizer que “A Mulher não existe”, dê graças a Deus, pois ao “não existir” ela precisa “se fazer existir”, cada uma a seu modo…
Já pegou seu exemplar do meu ebook? Clique na imagem e saiba mais!
A partir da leitura desse post publicado no blog do Zanatta, me lembrei de uma reflexão que venho fazendo já algum tempo sobre as conexões da letra da música “Pais e Filhos” da saudosa Legião Urbana com a Psicanálise. Resolvi publicar, então, as conclusões a que cheguei até o momento.
Em verdade, minha análise é restrita ao trecho final da música. Após a transcrição (belíssima e perspicaz, por sinal) de falas comuns trocadas entre pais e filhos e da extrema sabedoria ao mostrarem o óbvio: que o amanhã não existe, Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá escrevem os seguintes versos:
“Sou uma gota d’água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não o entendem
Mas você não entende seus pais…
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer”
Em primeiro lugar, a gente pode assinalar o reconhecimento do ser humano como aquilo que o lacanês chama de “falta-a-ser” e que em humanês, a gente pode, parafraseando Sartre, chamar de “ausência de uma essência do homem”. Com isso quero dizer que cada cultura, cada família, cada pessoa, tem uma idéia diferente sobre o que é o homem, como ele deve agir e etc.
Assim, não temos uma definição válida pra todos, o que significa dizer que a gente não nasce sabendo quem a gente é nem como a gente deve viver. Quem incute na nossa cabeça o que mais tarde vamos pensar ser a verdade são as outras pessoas que, via de regra, nasceram antes da gente e o que elas produziram em termos de conhecimento (é mais ou menos isso o que em lacanês se chama o Outro). Ora, os versos “Sou uma gota d’água/Sou um grão de areia” revelam exatamente isso! Um grão de areia isolado, por exemplo, no asfalto da praia de Copacabana, não é um grão de areia! Sim. Essa “coisinha” só será um grão de areia quando houver algum humano (um Outro) para chamá-lo assim. E mais: só será um grão de areia se existirem outros grãos de areia!
Sobre o “Você me diz que seus pais não o entendem/Mas você não entende seus pais” vou me ater a uma consideração influenciada pelo artigo “Confusão de língua entre adultos e a criança”, de 1933, do analista húngaro Sándor Ferenczi. Ao meu ver esse mal entendido entre pais e filhos resulta, entre outras razões, do fato de os filhos representarem para os pais aquilo que eles já foram e que recalcaram para se tornarem o que são hoje.
Mas o creme mesmo, da letra de “Pais e Filhos” são os últimos quatro versos: “Você culpa seus pais por tudo/Isso é absurdo/São crianças como você/O que você vai ser quando você crescer”.
Se vocês repararem, esse último verso é ambíguo quanto ao sentido. Ambíguo porque dependendo do ponto que você coloque ao final, o significado da frase muda. Pode ser tanto a pergunta ao filho sobre o que ele vai ser quando crescerquanto uma afirmação de que ele vai ser como os pais!
Senhoras e senhores, essa ambiguidade é própria da interpretação do psicanalista. Essa, não tem a função de fechar um sentido (vocês podem até ver um pouco disso nos casos de Freud, mas são erros próprios de quem tava começando a coisa). A interpretação analítica tem exatamente a função de jogar com a ambiguidade das palavras e mostrar, fundamentalmente, que elas só são palavras e que, apesar de machucarem, elas continuam sendo palavras que, se rearranjadas, em vez de machucar podem curar!
E me parece que os autores realmente encaranaram os psicanalistas nessa estrofe. Os versos anteriores (“Você culpa seus pais por tudo/Isso é absurdo/São crianças como você”) são a personificação da essência do que um analista busca fazer numa psicanálise.
E o que é que ele busca? Levar o sujeito a parar de se queixar do Outro (é, daquele Outro do qual eu falei acima, que te ensina o que você é, pra onde você tem que ir), desse Outro que é na maioria dos casos encarnado pelos pais. E como a gente consegue parar de se queixar? Quando a gente percebe que eles não sabem tudo. Que, pelo contrário, eles tem que lidar com as mesmas questões com as quais a gente tem que lidar. É quando a gente percebe que, assim como nós, no Inconsciente, eles permanecem sendo uma criança de 5 anos…
Aí, tomando ciência de que eles não sabem tudo, a gente pode desamarrar esse fardo das costas e escolher se a gente quer ser como eles, quando a gente crescer.
Veja o clipe de “Pais e Filhos”:
QUER SABER MAIS SOBRE COMO FUNCIONA UMA ANÁLISE? ADQUIRA O LIVRO “COMO TRABALHA UM PSICANALISTA”, DE JUAN-DAVID NASIO, POR APENAS R$ 36,00 NA LIVRARIA CULTURA. É SÓ CLICAR NO BANNER ABAIXO E DIGITAR O TÍTULO DO LIVRO NA BUSCA.
Olá! Tudo bem? Este conteúdo não se encontra mais disponível aqui, pois foi reunido no ebook “Psicanálise em Humanês: 16 conceitos psicanalíticos cruciais explicados de maneira fácil, clara e didática”.
Comprando no dia do lançamento você obterá um desconto IMPERDÍVEL!
Ah, e nos três dias anteriores ao lançamento (12, 13 e 14) eu ministrarei um minicurso gratuito de introdução à Psicanálise. Então, siga-me lá no Instagram e não perca!